Propósito: responsabilidade do líder consciente

Falamos muito de propósito e o quanto ele faz parte do dia a dia das decisões das pessoas que fazem a organização, o quanto aquela cultura internalizou e compreende as intrincadas e complexas situações que a liderança se depara, tanto para solucionar questões e problemas graves, quanto para planejar os próximos passos e a estratégia dos negócios, em que cada uma das pessoas sabe exatamente o leque de opções de que pode se valer naqueles momentos, ao tomar decisões com base no propósito. Será?

Mesmo o mais experiente dos CEOs ou um membro do conselho tem seus momentos de dúvida e questionamento. Conectar o propósito à realidade do negócio pode trazer o modelo mental necessário para renovar a crença e a motivação de que o caminho escolhido está pavimentado em valores conectados à necessária amplitude de visão do que um dia foi apenas um plano, uma ideia.

“Se você chegou ao cargo de CEO, C-level ou conselheiro, provavelmente tem, ou deveria ter: a inteligência de Buffet, a assertividade de Churchill, a criatividade de Jobs, a inteligência emocional da Oprah e a paciência de Mandela, mas se você ainda não chegou lá, não se preocupe, a liderança é uma jornada a serviço e não uma posição estática de poder”. (traduzido e adaptado de Conscious Leadership: elevating humanity through business, John Mackey and authors, Penguin, 2020).

Além do desafio pessoal que um líder consciente abraça ao assumir o auto-desenvolvimento necessário para liderar com propósito, cabe a ele a responsabilidade de dar o tom, o exemplo de viver o que foi estabelecido em cada passo, em cada decisão do dia a dia.

Se você é um líder consciente, o propósito vem em primeiro lugar. Você lidera com amor (isso mesmo!) e com integridade. Você busca soluções ganha-ganha-ganha, inova e cria valor, sempre mirando no longo prazo.

Uma grande questão que pode ser anterior ao que lidera com propósito é descobrir qual é o seu propósito, caso ainda não esteja determinado em sua organização, em sua carreira. A descoberta do propósito é algo que vem do fundo da alma. Você acredita que é o caminho, você chegou a ele por evidências, você tem aquela certeza interior.

Para muitos, o propósito vem com o tempo. Não é algo pré-determinado. Para outros, já é muito claro desde a mais tenra idade.

Fato é que só é possível liderar conscientemente um propósito que vive intensamente dentro de você.

E, hoje, mais do que nunca ser um líder consciente e liderar com propósito é essencial para levar a organização às transformações necessárias. Não há mais sentido em liderar um negócio, como sempre foi ou “business as usual” porque ele não leva em consideração a estabilidade climática, a saúde do ecossistema e todas as demais externalidades. É a não-sustentabilidade dos meios (University of Cambridge, CISL, 2021).
Liderar com propósito significa negar o modelo de negócio “sempre foi assim” e considerar os valores das pessoas e da sociedade nos processos decisórios, rumo ao desenvolvimento sustentável.

Para isso, a visão de longo prazo e a consideração dos stakeholders na co-criação de soluções viáveis e inovadoras precisam estar presentes e ser priorizadas, ocupando o lugar do canto da sereia dos resultados de curto prazo.

Voltando ao título deste artigo remeto à responsabilidade. O líder consciente tem a responsabilidade de transformar o negócio, hoje apegado aos resultados usuais e levá-lo à nova visão, com propósito, capaz de transformar e inovar, levando em conta o desenvolvimento sustentável e todos os stakeholders.

*imagem: shutterstock

Publicado por daniman66

Conselheira de Administração pelo IBGC com formação em engenharia Mecânica Aeronáutica e Mestre em Educação, além de especialista em gestão empresarial, planejamento estratégico e marketing interativo. Sustainability Management pela University of Cambridge. Climate Reality Leader (The Climate Reality Project, fundação do Ex-presidente Al Gore). ESG advocate. GRI Certified Training Center (Bridge3). Nos últimos 20 anos atuou como Vice-Presidente executiva e sócia na Manole Conteúdo. Diretora da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), Membro do conselho curador da Fundação Sociedade Brasileira de Pediatria (FSBP), Membro dos comitês: Empresas Familiares do IBGC, Meio Ambiente e Energia e de Propriedade Intelectual do ICC (Bridge3). Membro do WCD, Membro do GRI, Membro do IBGC, Membro do ICC (Bridge3).

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