ESG: onde estão as fontes?

Há quanto tempo ouvimos sobre os efeitos dos gases de efeito estufa? Há quanto tempo convivemos com histórias na mídia sobre trabalho escravo ou infantil, descobertos em países do terceiro mundo, a serviço de marcas “famosas”? Há quanto tempo sabemos que nossas florestas estão sendo devastadas pela exploração desordenada? Há quanto tempo acompanhamos os desastres ambientais, os escândalos corporativos, as catástrofes ditas naturais? Quantos de nós já não sofreram os efeitos do SARS COV2, que agora aparece em nova mutação na Europa. E, quanto mais o meio ambiente for explorado, mais estaremos sujeitos às pandemias.

Até quando o “business as usual” poderá seguir sem que os efeitos destes danos batam à porta, cobrando altos custos, provocando o fechamento de negócios, mais empregos ainda e provocando crises ainda mais profundas?

Como a profa. Rebbeca Henderson, autora do recente “Reimagine Capitalism“, tema de um bem sucedido curso de Harvard, escreve no artigo “Climate in the Boardroom: struggling to reconcile Business as Usual & the End of the World as We Know it“:

“A maioria das empresas nunca prestou muita atenção aos custos de energia ou às emissões dos gases de efeito estufa, pois a energia é praticamente de graça (para uma empresa média, o custo de energia representa apenas 3% de seus custos operacionais) e emitir GHG não era apenas legal, mas também completamente comum. O que aconteceu é que quando as empresas começaram a prestar atenção, havia uma infinidade de formas de reduzir emissões enquanto se fazia dinheiro por fazê-lo.”

O Brasil é um país de empreendedores, de pessoas resilientes e trabalhadoras. Exemplos não faltam de empresas, que há muito tempo iniciaram suas jornadas de regeneração do meio ambiente, de respeito à diversidade, às comunidades em torno e afetadas pela empresa e aos ditos stakeholders. Companhias que implementaram uma governança séria e diversa de pensamentos e que ajudam a planejar o amanhã, enquanto a operação cuida do dia a dia.

São centenas de exemplos. Muitas delas evitam inclusive divulgar todo este imenso trabalho. Preferem deixar o resultado falar por si.

Quem tiver interesse em aprender com estes exemplos têm diversas fontes. As companhias abertas são obrigadas por força dos órgãos reguladores a reportar seus resultados. Além disso, muitas delas têm interesse em relatar em formatos específicos, conforme os mais importantes stakeholders de suas cadeias. Hoje, é comum, inclusive, grande parte das empresas produzir um único relatório, pois o conceito de não-financeiro e financeiro não tem sentido quando falamos em ESG (ambiental, social e governança, em português), pois tudo que é material para a empresa, gera impacto, positivo ou negativo e, consequentemente, tem efeitos financeiros e econômicos.

Ao reportarem, as empresas escolhem as normas e padrões que mais atendem à necessidade de seus negócios, dos stakeholders e da materialidade identificada no processo.

Recentemente, o World Economic Forum produziu um white paper intitulado “Measuring Stakeholder Capitalism: towards common metrics and consistent reporting of sustainable value creation“. Neste documento, produzido com as big 4, O WEF lista os princípios e as correspondentes fontes, dentre os padrões existentes. O objetivo é harmonizar o anseio do mercado investidor que procura métricas comparáveis, com as informações produzidas pelas empresas, que são muito diversas em ramos de atividade e materialidade.

(inserir o link)

O Global Reporting Initiative (GRI) é o padrão utilizado pela grande maioria das empresas no mundo. Ao analisar um relatório produzido de acordo com as normas GRI, você poderá entender como os líderes da empresa a operam e a qualidade da governança.

A incorporação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU, estabelecidos para serem atingidos até 2030 também podem ser incorporados ao relato GRI e, neste processo, a empresa constrói as metas ligadas a cada ODS.

O SASB (Sustainable Accounting Standards Board) é outro padrão que também harmoniza com o GRI. O SASB possui algumas características próprias, porém ambos são muitas vezes utilizados pelas empresas em conjunto. Recentemente, inclusive, anunciaram um documento com o objetivo de compatibilizarem seus padrões, incluindo o relato integrado e outros:

(inserir link)

Respondendo ao título deste artigo, quem tiver interesse em ir a fundo e conhecer o estado atual do ESG das empresas, as que já estão nesta jornada, há muita fonte de estudo e leitura. E, para entender, decifrar, comparar, medir, aplicar em seus próprios projetos, é preciso mergulhar nas normas e padrões, que são as bases utilizadas pelas empresas, que funcionam como o fio condutor da jornada, rumo à sustentabilidade e aos pilares ESG.

A Bridge3 Projetos Sustentáveis é um Centro de Treinamento GRI certificado e um Alliance Member do SASB. Nosso propósito foi buscar o conhecimento na fonte, com quem o desenhou e produziu, entender profundamente, para então poder levar às pessoas, em formatos práticos e didáticos, os conteúdos necessários para a jornada ESG!

Publicado por daniman66

Conselheira de Administração pelo IBGC com formação em engenharia Mecânica Aeronáutica e Mestre em Educação, além de especialista em gestão empresarial, planejamento estratégico e marketing interativo. Sustainability Management pela University of Cambridge. Climate Reality Leader (The Climate Reality Project, fundação do Ex-presidente Al Gore). ESG advocate. GRI Certified Training Center (Bridge3). Nos últimos 20 anos atuou como Vice-Presidente executiva e sócia na Manole Conteúdo. Diretora da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), Membro do conselho curador da Fundação Sociedade Brasileira de Pediatria (FSBP), Membro dos comitês: Empresas Familiares do IBGC, Meio Ambiente e Energia e de Propriedade Intelectual do ICC (Bridge3). Membro do WCD, Membro do GRI, Membro do IBGC, Membro do ICC (Bridge3).

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